Foi na época em que este site tomava forma que eu tive, pela primeira vez, a ideia de usar o espaço de notícias também como blog. E desde então me ponho a filosofar bestamente sobre a natureza desse fenômeno blog, eu que desde sempre chego atrasado às modernas tecnologias e aos virtuosos desdobramentos da inteligência do homem. É justamente por isso que não me atreveria aqui a expor as minúcias do meu tardio deslumbramento com essa ferramenta, pois tudo o que eu haveria a dizer certamente já foi dito e redito nos meios blogueiros que eu, logicamente, ainda desconheço.
O pouco que vale dizer desse meu deslumbramento é que o blog contém a ideia do “livro aberto”, torna possível a qualquer um fazer-se livro aberto na medida exata que quiser, da forma que melhor lhe convier e apenas para aqueles que quiserem lê-lo. E se por um lado é verdade que essa possibilidade não é absolutamente nova – tendo sido ao longo dos anos a brecha fundamental da qual se valem os autobiógrafos, cronistas e jornalistas, em menor medida os romancistas, contistas e poetas, e ainda em menor medida os artistas em geral – por outro lado o fato de qualquer pessoa poder escrever sua autobiografia em tempo real, ou ser cronista imediata das suas vivências diretas ou indiretas, tudo estando disponível a toda e qualquer outra pessoa mediante um par de cliques, isso me parece sim uma grande novidade.
É para desfrutar dessa novidade que esse meu lugar virtual, que mal havia nascido, agora renasce como híbrido de blog e noticiário. Imagino que a medida exata deve brotar naturalmente do limite que desde já me imponho: escrever apenas sobre música. A forma há de ser a forma do momento em que cada texto for escrito, porque não haveria sentido em negar a mim mesmo essa dadivosa liberdade. E àqueles que quiserem ler, aqui estarei eu com as minhas cousas e causos, com minhas impressões e ideias sobre a arte do som.
Evoé!
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